PERCURSO PROFISSIONAL


Ginecologista-endocrinologista português pioneiro no estudo da Menopausa

Desde cedo Manuel Neves-e-Castro sentiu necessidade de se familiarizar com a experimentação e com os métodos de investigação científica. Começou por ser assistente de Química Fisiologia na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1954/55, onde realizou vários trabalhos que publicou e que foram a base da sua tese de licenciatura. Nesse período estagiou em Paris, no Instituto Pasteur, onde aprendeu as técnicas de imunoelectroforese introduzidas depois por si em Portugal, e no Instituto Ótica, onde montou um sistema original de análise espectrográfica da fluorescência dos tecidos, que publicou com o seu mestre, professor da Sornbonne.

Já licenciado em Medicina, concorreu à Fundação Calouste Gulbenkian, que lhe concedeu uma bolsa de estudo para estagiar nos EUA. Iniciou os estudos na Worcester Foundation, em 1958, instituição considerada na altura a meca da endocrinologia da reprodução. Aí foi criada a pílula contraceptiva e realizada a primeira fecundação in vitro sob a orientação dos seus mestres, Gregory Pincus e M.C. Chang. Aí assistiu ao nascimento dos primeiros mamíferos (coelho) resultantes da fecundação in vitro. Aprendeu e praticou em muitas técnicas da síntese de hormonas com marcadores radioactivos e publicou vários trabalhos originais.

Frequentou depois uma pós-graduação em Ginecologia e Obstetrícia na Universidade de Pennsylvania, em Filadélfia, cujos mestres eram autores dos melhores livros de texto adoptados internacionalmente. Com a sua dedicação e empenho, teve a honra de ter sido o primeiro classificado do seu curso. Antes de regressar a Portugal, passou por vários centros médicos norte-americanos para tomar conhecimento das últimas novidades.

Regressado a Portugal em 1961, ingressou no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, onde permaneceu vários anos e exerceu intensa actividade clínica. Em 1969 foi mobilizado pelo Exército para uma comissão militar de dois anos na Guiné, onde ficou a dirigir a Maternidade do Hospital Civil, a qual remodelou completamente com vista à prática de uma medicina de qualidade. Passados esses dois anos, regressou aos EUA como bolseiro Fullbright, permanecendo algum tempo como professor visitante de duas universidades.

De volta a Portugal em 1974, desenvolveu uma intensa actividade clínica na área da Ginecologia Endócrina, Esterilidade e Menopausa. Mais tarde aceitou o convite para ser coordenador de investigação numa fundação brasileira do Rio de Janeiro durante dois anos. Um novo convite fê-lo rumar para a Holanda, onde assumiu o cargo de conselheiro científico de uma grande indústria farmacêutica especializada em hormonas. Aí permaneceu durante cinco anos desenvolvendo uma intensa actividade científica e propondo várias terapêuticas, algumas das quais tornaram-se medicamentos de uso corrente.

Os múltiplos contactos internacionais que sempre desenvolveu permitiram-lhe ser fundador das Sociedades Internacional e Europeia de Menopausa, de que foi seu dirigente e é um dos dois únicos sócios honorários. Em Portugal já tinha fundado a Associação para o Planeamento da Família e fundou a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução e a Sociedade Portuguesa de Menopausa, de que foi o primeiro presidente e agora seu presidente honorário.

No decurso da sua vida profissional têm sido muitas as distinções recebidas, sendo sócio honorário de várias sociedades científicas internacionais e tendo recebido vários prémios. Têm sido também inúmeras as participações como conferencista principal em muitos congressos nacionais e internacionais, na Europa, EUA e nas Américas Central e do Sul. As suas publicações científicas já ultrapassam a centena.



 
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