Tratamento da Menopausa


Afinal onde está a verdade sobre o tratamento da Menopausa?

Poucos assuntos da Medicina da Mulher têm sido objecto de tanta controvérsia durante os últimos anos como o “tratamento” da menopausa.

A menopausa, pelas alterações biológicas (hormonais e idade) que a acompanham, marca o início de riscos (preveníveis) para doenças que têm a maior incidência na segunda metade da vida (por ex. aterosclerose, osteoporose, obesidade, cancro da mama, cancro do cólon, doença de Alzheimer, etc.).


Estas discussões têm sobretudo afectado, por esse mundo fora, a classe médica não especializada e até mesmo a que deveria saber interpretar criticamente os resultados de vários estudos epidemiológicos feitos principalmente nos EUA. Estes estudos pecaram, logo que foram concluídos, por terem sido transmitidos aos órgãos de comunicação social antes de, como é obrigatório, serem divulgados à classe médica.


Tanto bastou para que, em segundos, surgissem na imprensa de todo o mundo títulos em caixa alta, absolutamente errados, em que se anunciava o perigo do uso de hormonas, porque causavam um aumento de cerca de 30% de cancros da mama! Isso fez logo pensar, a leigos e a médicos mal informados, que 30% das mulheres sob esses tratamentos iriam ter um cancro da mama! O erro, por ignorância, está em que 30% seria (numa população idosa e tratada em excesso, que não era representativa das mulheres que entram em menopausa) o aumento em termos de risco relativo e não em risco absoluto. Três dessas 1000 mulheres, com uma média de idades de 63 anos, irão ter durante um ano um diagnóstico de cancro da mama, sem que tenham feito qualquer tratamento hormonal. Se nesse mesmo grupo estudado pelos americanos for feito um tratamento com a combinação de duas hormonas femininas (estrogéneo + progestagéneo), haverá mais 0,8 mulheres em 1000 com esse diagnóstico (ou seja apenas mais 8 em 10.000), com risco relativo aumentado devido aos tratamentos.


Por outro lado, se nas mulheres já sem útero se fizer o tatamento durante um ano apenas com o estrogénio, em vez de 3/1000 casos de cancro da mama espontâneos haveria menos 0,6 mulheres em 1000, o que significa que o risco relativo até diminuiu! Veja-se bem como a falta de interpretação correcta dos resultados pode criar em todo o mundo  um pânico absolutamente injustificado.


O outro alarme que surgiu, também injustificadamente, foi o de que não se deve manter por mais de 5 anos um tratamento hormonal. Outro disparate, até alimentado por algumas Sociedades Médicas, como a Norte-Americana de Menopausa, e que não tem fundamento. E a tal ponto assim é que essa mesma prestigiada Sociedade acabou por corrigir os seus anteriores conselhos e agora afirma que “não há qualquer limite para a duração desse tipo de tratamento” desde que correctamente indicado e controlado.


O que é importante, e não tem sido devidamente explicado, é que os tratamentos hormonais, quando indicados e se não houver contra-indicações, devem iniciar-se logo na menopausa. Se forem começados tardiamente já os seus efeitos são diferentes e até podem causar problemas. A regra de ouro é que quaisquer tecidos ou órgãos (sejam os vasos sanguíneos, as células do cérebro ou outros) só beneficiam do tratamento preventivo, que é dado principalmente pelos estrogéneos, se estiverem ainda sãos, sem lesões. Se essas lesões já existirem, como por exemplo as placas de aterosclerose, já não há benefício e pode até surgir risco.


Apesar de tudo isto, não há qualquer razão para pânico entre as mulheres.

 
 
 
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